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Doença Celíaca
Matéria sobre DOENÇA CELÍACA exibido em 27 de março de 2013 pela UFPR TV, pelo rograma Em Tese.
Convidadas:
  • Dra. Adriane Celli (Gastropediatra e Profª. do Dpto. de... Pediatria da UFPR no Hospital das Clínicas
  • Dra. Sila Ferreira (Prof.ª UFPR e Doutora em Nutrição). 
Segue o link: http://www.youtube.com/watch?v=nPFMIPokVmM


 

O que é doença Celíaca?

      A doença celíaca (DC) é uma doença do intestino delgado, caracterizada pela intolerância permanente ao glúten. Seu único tratamento é a dieta isenta de glúten.


O que é glúten?

      É a principal proteína presente no Trigo, Aveia, Centeio, Cevada, e no Malte (sub-produto da cevada). A ingestão de alimentos com este tipo de proteína pelos celíacos se torna tóxica e provoca lesão no intestino delgado, impedindo a adequada absorção dos alimentos. Na verdade, o prejudicial e tóxico ao intestino do paciente intolerante ao glúten são "partes do glúten", que recebem nomes diferentes para cada cereal. Vejamos: No Trigo é a Gliadina, na Cevada é a Hordeína, na Aveia é a Avenina e no Centeio é a Secalina. O Malte, muito questionado, é um produto da fermentação da cevada, portanto apresenta também uma fração de glúten. Os produtos que contenham malte, xarope de malte ou extrato de malte não devem ser consumidos pelos Celíacos. O glúten não desaparece quando os alimentos são assados ou cozidos, e por isto a dieta deve ser seguida à risca. O Glúten agride e danifica as vilosidades do intestino delgado e prejudica a absorção dos alimentos.


Quais os sintomas?

      O quadro clínico da doença se manifesta com e sem sintomas. No primeiro caso, há duas formas:


A clássica

      É freqüente na faixa pediátrica, surgindo entre o primeiro e terceiro ano de vida, ao introduzirmos alimentação à base de papinha de pão, sopinhas de macarrão e bolachas, entre outros industrializados com cereais proibidos. Caracteriza-se pela diarréia crônica, desnutrição com déficit do crescimento, anemia ferropriva não curável, emagrecimento e falta de apetite, distensão abdominal (barriga inchada), vômitos, dor abdominal, osteoporose, esterilidade, abortos de repetição, glúteos atrofiados, pernas e braços finos, apatia, desnutrição aguda que podem levar o paciente à morte na falta de diagnóstico e tratamento.


Não clássica

      Apresenta manifestações monossintomáticas, e as alterações gastrintestinais não chamam tanto a atenção. Pode ser por exemplo, anemia resistente a ferroterapia, irritabilidade, fadiga, baixo ganho de peso e estatura, prisão de ventre, constipação intestinal crônica, manchas e alteração do esmalte dental, esterilidade e osteoporose antes da menopausa.


Assintomatica

      E se não houver sintomas? Há ainda, a doença na forma assintomática. São realizados nestes casos, exames (marcadores sorológicos) em familiares de primeiro grau do celíaco, que têm mais chances de apresentar a doença (10%). Se não tratada a doença, podem surgir complicações como o câncer do intestino, anemia, osteoporose, abortos de repetição e esterilidade.


Como é feito o diagnóstico?

      Exames laboratoriais, como anticorpos antigliadina, antiendomísio e antitransglutaminase positivos sugerem DC, embora altamente precisos e confiáveis, são insuficientes para um diagnóstico. O diagnóstico deverá ser confirmado por biópsia do intestino delgado com no mínimo a coleta de tres fragmentos.


Por que a dieta sem glúten é importante?
       A dieta sem glúten é o único tratamento possível para a DC. O paciente celíaco que continuar ingerindo alimentos com glúten apresenta maior risco de desenvolver outras doenças, como doenças de tireóide, figado, rins, pele e até câncer. A dieta deve ser seguida para o resto da vida.


Que outros cuidados os celíacos devem ter?

      Deve-se tomar cuidado com a contaminação dos alimentos com glúten, pois sabe-se que, mesmo traços do glúten, podem desencadear os sintomas. Em casa, deve-se separar os produtos que contém glúten dos que não contém. Lembrar que, sem proceder limpeza adequada, utensílios utilizados para manuseio e preparação de produtos com glúten poderão contaminar alimentos sem glúten. Recomenda-se que alimentos geralmente consumidos com pães (geléias, margarinas, maioneses, entre outros) também sejam de uso exclusivo do paciente celíaco.


Regime Alimentar

      A dieta isenta de glúten, eliminando a ingestão do trigo, centeio, cevada, aveia e malte, resulta em :
- Desaparecimento do ataque intestinal.
- Melhora da condição cutânea.
- Diminuição do risco de câncer.


(Fonte: ACELPAR - Associação dos Celíacos do Paraná - http://www.acelpar.com.br/) 

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Doença Celíaca: a história de uma enfermidade considerada rara até passado recente e que se transformou em um problema de saúde pública universal

Manifestações Extra-Intestinais

Muitos pacientes recentemente diagnosticados com DC podem inicialmente se apresentar com sintomas não digestivos.

Há fortes evidências que a Dermatite Herpetiforme representa a manifestação dermatológica da DC (figura abaixo), posto que a maioria destes pacientes também apresenta concomitantemente alterações morfológicas da mucosa intestinal compatíveis com a DC, mesmo na ausência de manifestações gastrointestinais. Tanto as lesões de pele quanto a morfologia da mucosa intestinal são reversíveis com a utilização de uma dieta isenta de glúten.



 

Defeito do Esmalte Dentário envolvendo a dentição definitiva tem sido descrito em cerca de 20% a 70% das crianças com DC, podendo mesmo ser a primeira manifestação da enfermidade (figura abaixo); portanto, nestes casos, a suspeita diagnóstica de DC deve ser primeiramente levantada pelo dentista.
 


 

Artrite envolvendo o esqueleto axial e periférico tem sido relatada em até 25% dos casos de DC; a artrite tem sido descrita como aguda e não erosiva que geralmente cede com a introdução de uma dieta isenta de glúten.

Osteoporose e diminuição da densidade mineral óssea têm sido relatadas em pacientes com DC não tratada, as quais se revertem com o uso de dieta isenta de glúten.

Baixa estatura pode ser uma das formas de apresentação da DC, tendo sido identificada em 8% a 10% dos pacientes.

Anemia por deficiência de ferro, refratária ao tratamento por via oral, é a causa mais freqüente de manifestação não digestiva da DC; cerca de 8% a 11% das causas inexplicadas de anemia ferropriva associadas ou não a deficiência de ácido fólico se devem a DC.

Afecções neurológicas e psiquiátricas incluindo depressão, ansiedade, irritabilidade, neuropatia periférica, ataxia cerebelar, enxaqueca e epilepsia devido a calcificações intracranianas (figura abaixo) têm sido descritas em associação à DC.

 


 

Abaixo, estão discriminadas as principais manifestações extra-intestinais da DC

A) Manifestações que apresentam grande ou moderada evidência de DC
Dermatite herpetiforme
Hipoplasia do esmalte dentário (dentição definitiva)
Osteopenia/Osteoporose
Baixa estatura
Puberdade ratardada
Anemia ferropriva refratária a tratamento oral com ferro

B) Manifestações que apresentam evidência menos intensa
Hepatite
Artrite
Epilepsia com calcificações occipitais

Abaixo, estão discriminadas associações que apresentam prevalência aumentada com DC
Diabete tipo 1
Tireoidite autoimune
Síndrome de Down
Síndrome de Turner
Síndrome de Williams
Deficiência seletiva de IgA
Parentesco de primeiro grau
No nosso próximo encontro continuaremos a discutir os aspectos mais interessantes dessa enfermidade que se tornou em pouco tempo um problema de saúde pública universal.


Postado por Professor Ulysses Fagundes-Neto
Professor Titular da Disciplina de Gastroenterologia Pediátrica (GP) da Escola Paulista de Medicina (EPM) da UNIFESP. Mestre em GP pelo IBEPEGE, Doutor em Pediatria pela EPM da UNIFESP, Doutor em GP pela EPM da UNIFESP, Pós-Doutorado pela Cornell University. Presidente do 3² Congresso Mundial de Gastroenterologia Pediátrica, Hepatologia e Nutrição, realizado em Agosto de 2008, em Foz do Iguaçú. Diretor Científico do Instituto de Gastroenterologia e Nutrição em Pediatria de São Paulo (IGASTROPED), www.facebook.com.br/IGASTROPED

(Fonte:http://gastropedinutri.blogspot.com.br/2009/04/doenca-celiaca-historia-de-uma_22.html  // quarta-feira, 22 de abril de 2009)